Fazendo
a leitura do texto: O modelo dos modelos, de Ítalo Calvino 1983, percebe-se
que o teor do texto está relacionado com as ações desenvolvidas com os alunos da
sala do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e trás contribuições que
ajudam a compreender a real necessidade de aprimoramento de nossos
conhecimentos e saberes para poder trabalhar os diferentes modelos de
necessidades e deficiências que cada educando especial apresenta.
Para
cada necessidade ou deficiência surgida, devemos buscar um atendimento que
ataque o problema de forma a trazer resultado positivo que elimine ou minimize
o problema, contribuindo assim para que as habilidades do educando especial
motive-o a superar suas deficiências e facilite sua inclusão no ensino regular.
Conforme
orienta o autor, devemos procurar adaptar nossos saberes e conhecimentos
de modo a atender a necessidade dos alunos, já que todos apresentam realidades
diferentes, o que requer flexibilização das
ações e das experiências que adquirimos ao longo do tempo na convivência diária
com esses alunos, trazendo como resultado um leque de possibilidades que nos
conforta a aplicar diferentes estratégias de ensino para melhorar o
trabalho na sala de AEE.
Posso
dizer que participar da especialização do AEE, trouxe-me aprendizados e experiências com as
quais posso melhorar a qualidade das ações que desenvolvo em meu trabalho no
atendimento dos alunos na sala de AEE, pois, adquiri conhecimentos que
melhoraram preparação profissional e humanitária.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Cartões
e pranchas de comunicação
Recursos de baixa tecnologia
para pessoas com o Transtorno do EspectroAutista.
A partir da DSM-5 o
Transtorno Global do Desenvolvimento passa a chamar-se Transtorno do Espectro
Autista, inserido na categoria diagnóstica dos Transtornos de
Neurodesenvolvimento. Que inclui, o transtorno autista (autismo), o transtorno
de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e os transtornos invasivos
do desenvolvimento sem outra especificação, conforme a DSM-5 (APA 2012).
O Transtorno do Espectro
Autista é um distúrbio do desenvolvimento neurológico e deve estar presente
desde a infância ou do início da infância, mas pode não ser detectado mais
tarde devido a mínimas demandas sociais e do apoio dos pais ou responsáveis nos
primeiros anos. Esse distúrbio passa a ter dois domínios: sociais/comunicação
déficits e interesses fixados e comportamentos repetitivos (APA, 2012).
A comunicação entre os
indivíduos está presente em todos os momentos da vida, sendo essencial ao seu
desenvolvimento. Contudo, apesar de a linguagem oral ser o meio de comunicação
mais utilizado, há pessoas que, devido a fatores neurológicos, físicos,
emocionais e cognitivos, se mostram incapazes de se comunicar através da fala.
O termo comunicação alternativa
e ampliada é utilizado para definir outras formas de comunicação como o uso de
gestos, língua de sinais, expressões faciais, o uso de pranchas de alfabeto ou
símbolos pictográficos, até o uso de sistemas sofisticados de computador com
voz sintetizada (Glennen, 1997).
A comunicação é considerada
alternativa quando o indivíduo não apresenta outra forma de comunicação e,
considerada ampliada quando o indivíduo possui alguma comunicação, mas essa não
é suficiente para suas trocas sociais. A decisão sobre qual o tipo de sistema
alternativo de comunicação será escolhido, se gestual ou pictográfico, se
figurativo ou alfabético , requer reflexão que envolve família, escola e saúde.
Recursos de baixa tecnologia são os que podem ser construídos
pelo professor do AEE e disponibilizados ao aluno que os utiliza na sala comum
ou nos locais onde ele tiver necessidade deles.
A Tecnologia Assistiva destina-se à ampliação de habilidades
de comunicação, onde dá-se o nome de CA (Comunicação Alternativa). No caso do
autista serve de incentivo na oralidade e auxilia na comunicação.
Pois segundo Chun e Moreira (1997)
descrevem que o termo mais apropriado seria Comunicação Suplementar e/ou
Alternativa. Isso porque engloba todas as formas de comunicação que substituem,
complementam, ou apoiam a fala (olhar, vocalizações, gestos, expressão facial,
sorriso, alteração de tônus muscular, entre outras).
Abaixo alguns recursos de CA
para alunos com TGD:
Descrição
de imagem:
A
imagem apresenta vários cartões de comunicação com símbolos gráficos
representativos de mensagens. Os cartões estão organizados por categorias de
símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura
diferente: cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais,
(visualiza-se o símbolo "tchau"); amarelo são os sujeitos,
(visualiza-se o símbolo "mãe"); verde são os verbos (visualiza-se o
símbolo "desenhar") ; laranja são os substantivos (visualiza-se o
símbolo "perna"), azuis são os adjetivos (visualiza-se o símbolo
"gostoso") e branco são símbolos diversos que não se enquadram nas
categorias anteriormente citadas (visualiza-se o símbolo "fora").A Tecnologia Assistiva destina-se à ampliação de
habilidades de comunicação, onde dá-se o nome de CA (Comunicação Alternativa).
No caso do autista serve de incentivo na oralidade e auxilia na comunicação.
Pois segundo Chun e Moreira (1997)
descrevem que o termo mais apropriado seria Comunicação Suplementar e/ou
Alternativa. Isso porque engloba todas as formas de comunicação que substituem,
complementam, ou apoiam a fala (olhar, vocalizações, gestos, expressão facial,
sorriso, alteração de tônus muscular, entre outras).
Descrição de
imagem:
Visualiza-se uma prancha de comunicação com dezoito símbolos gráficos
PCS cujas mensagens servirão para escolher alimentos e bebidas. Os símbolos PCS
estão organizados por cores nas categorias sociais (oi, podes ajudar?,
obrigada); pessoas (eu, você, nós); verbos (quero, comer, beber); substantivos
(bolo, sorvete, fruta, leite, suco de maçã e suco de laranja e adjetivos (quente,
frio e gostoso).
O professor de AEE tem papel fundamental, pois será ele que ensinará o
aluno a utilizar os cartões de comunicação, a chamada e o jogo com faces na
sala de AEE. Após o aluno aprender a utilizar este meio de comunicação, o
professor de AEE orientará professores e colegas da sala comum e seus
familiares como utilizar os cartões e demais atividades com a criança autista.
Com
isso teremos o estabelecimento da comunicação e linguagem favorecendo a
interação, autonomia e o desenvolvimento cognitivo.Público a ser utilizado:
Alunos com diversas idades para o desenvolvimento da
linguagem e comunicação.
Local
de utilização: sala de AEE e sala de aula e na sala comum
Intervenção
do professor:
-utilizar
as pranchas para fazer perguntas com relação ao tipos de lanches que ele
mais gosta comer
-Que
tipo de suco ele tem mais preferencia
-Apontar
símbolos ao aluno pedindo ajuda, agradecendo e escolhendo o que pretende
comer ou beber
Organizar
um fichário com vários cartões de símbolos, perguntando que tipos e cores
(substantivos alaranjados, adjetivos azuis, verbos verdes, sujeitos amarelos ,
expressões sociais em rosa e miscelâneas em branco.
Referências
Bibliográficas:
BEZ. M.
R Comunicação Alternativa e TEA. In: Curso de Atendimento Educacional
Especializado. Disciplina: AEE E TGD. 2014
Texto:
Transtorno do Espectro Autista – Maria Rosangela Bez. In: Sistema de
comunicação alternativa para processos de inclusão em autismo: uma proposta
integrada de desenvolvimento em contextos para aplicações móveis e web. Tese
(Doutorado em Informática na Educação) – UFRGS – Programa de Pós-Graduação em
Informática na Educação. Porto Alegre, 2014 (09 páginas).
Surdocegueira é uma condição que
apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela
surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria as dificuldades da
surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição
única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo.
Para
McInnes (1999), a premissa básica é que a surdocegueira é uma deficiência única
que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e
um sistema para dar este suporte. O referido autor subdivide as pessoas com
surdocegueira em quatro categorias:
·Indivíduos
que eram cegos e se tornaram surdos;
·Indivíduos
que eram surdos e se tornaram cegos;
·Indivíduos
que se tornaram surdocegos;
· Indivíduos que nasceram ou adquiriram
surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver
linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a
qual possam construir uma compreensão de mundo.
Classificação de acordo com a: intensidade das perdas
·Existência de um resíduo auditivo e de um
resíduo visual;
·Surdez total e resídua visual;
·Resíduo auditivo e cegueira total;
·Surdez e cegueira totais.
Tipos
·Cegueira congênita e surdez adquirida;
·Cegueira e surdez adquiridas;
·Surdez congênita e surdez adquirida;
·Baixa visão com surdez congênita ou
adquirida;
·Cegueira e surdez congênitas
As
causas da surdocegueira podem ser acidentes graves; a condição genética da
síndrome de Usher (as manifestações clínicas desta síndrome incluem a surdez,
que se manifesta logo no início da vida e a perda visual que ocorre,
geralmente, mais tarde) e surdocegueira congênita resultante de doenças como a
rubéola ou de nascimentos prematuros.
Classificação de acordo com a época de
aquisição:
Surdocego pré-linguístico:
classifica-se como aquele que apresenta a surdocegueira congênita (no período
gestacional), após o nascimento, mas antes da aquisição da linguagem ou surdez
antes da aquisição da linguagem e posterior cegueira.
Surdocego
pós-linguístico: classifica-se assim, aquele que adquiriu surdocegueira após a
aquisição da linguagem ou cegos com posterior surdez.
Comunicação da Surdocegueira
Os
surdocegos possuem diversas formas para se comunicar com as outras pessoas. A
LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, desenvolvida para a educação dos
portadores de deficiência auditiva, pode ser adaptada aos surdocegos
utilizando-se o tato. Colocando a mão sobre a boca e o pescoço de um
intérprete, o portador de surdocegueira pode sentir a vibração de sua voz e
entender o que está sendo dito, esse método de comunicação é chamado de Tadoma.
Também é possível para o surdocego escrever na mão de seu intérprete utilizando
um alfabeto manual ou redigir suas mensagens em sistema Braille (língua formada
de pontos em relevo criada para a comunicação das pessoas cegas). Existe ainda
o alfabeto moon, que substitui as letras por desenhos em relevo e o sistema
pictográfico, que usa símbolos e figuras para designar os objetos e ações.
Alfabeto
manual - Consiste em fazer, com a mão, um sistema de signos
sobre a palma do interlocutor. São variados os códigos adotados nesse
procedimento; a forma mais usual é aquela onde cada letra é representada pelas
diferentes posições dos dedos e da mão.
Língua
de Sinais - Consiste em uma forma de comunicação construída no espaço
através de configurações das mãos em movimentos diferentes e pontos de contato
no corpo.
Tadoma
- Método de linguagem receptiva onde a pessoa surda-cega, através do tato,
decodifica a fala do seu interlocutor. Consiste em colocar a mão no rosto do
locutor de tal forma que o polegar toque, suavemente, seu lábio inferior e os
outros dedos pressionem, levemente, as cordas vocais. Este procedimento
possibilita a interpretação da emissão dos sons através do movimento dos lábios
e da vibração das cordas vocais.
Sistema
Braille - Sistema de escrita e leitura tátil criado por Louis
Braille, em 1824. Ainda aluno da "Instituition des Jeunes Aveugles",
em Paris, o jovem cego Louis inspirado na "grafia sonora", idealizada
pelo Capitão de Artilharia Carlos Barbier de la Serre, inventou o Sistema,
ainda hoje utilizado, com pequenas modificações, em todo o mundo. Consiste no
arranjo de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três pontos. As
diferentes posições desses seis pontos permitem a representação de todas as
letras do alfabeto, dos sinais de pontuação, dos símbolos da matemática, da
música e outros.
PESSOA COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA (DMU)
São consideradas pessoas
com deficiência múltipla aquelas que “têm mais de uma deficiência associada”. “É
uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando
associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o
funcionamento individual e o relacionamento social”.(MEC/SEESP, 2002).
Comunicação
Todas
as interações de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade
e a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isto se refere a pessoas
que possuem como característica a necessidade de ter alguém que possa mediar
seu contato com o meio. Assim, ocorrerá o estabelecimento de códigos comunicativos
entre o deficiente múltiplo e o receptor. Esse mediador terá a responsabilidade
de ampliar o conhecimento do mundo ao redor dessa pessoa, visando a lhe
proporcionar autonomia e independência.
Posicionamento
É
indispensável uma boa adequação postural. Trata -se de colocar o aluno sentado
na cadeira de rodas ou em uma cadeira comum ou, ainda, deitado de maneira
confortável em sala de aula para que possa fazer uso de gestos ou movimentos
com os quais tenham a intenção de comunicar-se e desfrutar das atividades
propostas. Não se pode esquecer, por exemplo, que muitas vezes o campo visual
do aluno ou mesmo sua acuidade visual poderão influenciar os movimentos
posturais de sua cabeça, pois irá tentar buscar o melhor ângulo de visão ,aproveitando seu resíduo visual,
inclinando-a ou levantando-a. Esses movimentos poderão sugerir que a pessoas
não está na melhor posição. Isso, porém, é um engano, pois na verdade ela pode
estar adequando sua postura.
Necessidades Básicas
das Pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla
As
pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves
problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como
tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do
uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
Mesmo quando a deficiência predominante não é
na área intelectual, todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com
surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente. Este processo
interacional é prejudicado quando as informações sensoriais e a organização do
esquema corporal são deficitárias. Prever a estimulação e a organização desses
meios de interação com o mundo deve fazer parte do Plano de AEE.
Os espaços escolares e sua organização
precisam refletir a vontade de incluir, não só com construção de rampas,
banheiros acessíveis, sinalização e alargamento de corredores, mas com posturas
pedagógicas que incentivem a livre circulação de todos os alunos e,
especialmente, das pessoas com deficiência.
·Uma escova de dente qualquer (que não é a
mesma que a pessoa com surdocegueira utiliza para escovar os dentes) permite
simbolizar aquela que é usada para fazer a higiene bucal, a esta ação chamamos
de objeto de referência desnaturalizado.
·A criança precisa internalizar e perceber
que se pode dar nome a tudo, tornando sua comunicação mais simbólica
Caixas de Antecipação
As caixas de antecipação devem ser utilizadas
com crianças que ainda não têm nenhum sistema formal de comunicação. Ela
permite conhecer os primeiros objetos de referência que anteciparão as atividades
e o conhecimento das primeiras palavras.
CalendáriosOs calendários são
instrumentos que favorecem o desenvolvimento da noção de tempo e que ajudam os
alunos a estabelecer e compreender rotinas. Os calendários também são úteis no desenvolvimento
da comunicação, no ensino de conceitos temporais abstratos e na ampliação do vocabulário,
conforme Maia et AL (2008).
Tipos de Calendários
·Sistema de calendário confeccionado com um
varal móvel preso no móvel por ventosas os objetos de referência são pendurados
por um pregador plástico que tem um movimento acessível para o aluno com
problema motor.
·Objetos: colher e um saco plástico contendo
pasta e escova de dente.
· A
disposição deste calendário favorece a estimulação viso motora do aluno (Fonte:
Ahimsa, 2003)
Deslocamento em
Trajetos Curtos e Longos, em Ambiente Escolar e na Sala de Recursos Multifuncionais.
·Identifique-se para o aluno, mostrando seu
objeto de referência, aproximando-se dele e permitindo que perceba, se você tem
um perfume familiar, tocando-o levemente.
·Tenha atitude de comando clara, precisa e tranquila
ao ajudá-lo na sua rota.
·Alerte o aluno sobre situações que possam
apresentar riscos, causar constrangimentos e contratempos.
·Dê pistas da sua aproximação e do seu
afastamento em relação ao aluno.
·Utilize a técnica do guia vidente quando
necessário.
·Sinalize a rota para que ele tenha
autonomia e curiosidade para se desloca
Adequações Visuais
ILUMINAÇÃO
·Os alunos com Surdocegueira e com
deficiência múltipla que tem baixa visão precisam do máximo de contraste
possível entre os materiais que lê e o ambiente. Existem, no entanto, outras
condições que exigem uma quantidade menor de luz ambiente (como por exemplo; o
albinismo - falta de pigmentação nos olhos e que pode afetar a visão no que diz
respeito à luz - e a sensibilidade). A luz solar pode ser utilizada. Ela
funciona bem para alunos com baixa visão, ao contrário da luz fluorescente, que
é a menos apropriada, porém ela é a mais comum em salas de aula. Recomenda-se o
uso das lâmpadas incandescentes.
POSIÇÃO E DISTÂNCIA
A
avaliação da visão residual do aluno demonstra a que distância e em que posição
ele consegue enxergar melhor os objetos e as outras pessoas. Além disso,
potencializa a aprendizagem, se o professor se certificar de que os materiais e
os alunos estejam numa posição favorável, eficiente e confortável. Diferente de
um aluno com surdocegueira que devido à síndrome de Usher, em geral, possui boa
visão central, eles devem se sentar do meio para o fundo da sala, nas fileiras
centrais, pois nessa posição irão virar-se menos em direção aos colegas para
receber alguma informação e conseguirão ver bem o professor
O USO DO QUADRO NEGRO OU LOUSA
A maioria dos professores usa a lousa preta,
ou verde ou a branca em suas aulas, o que pode fazer com que os alunos com baixa
visão tenham prejudicada a visibilidade das informações escritas. Isso caso não
estejam sentados em lugares estratégicos e a escrita do professor não siga
determinadas regras, como as sugeridas por Hicks & Hicks (1983). Este autor
afirma e recomenda que, para ter uma leitura fácil, deve se utilizar letras
maiúsculas, tendo entre seis a oito centímetros de altura. As lousas devem ser mantidas
limpas para maximizar o contraste. Segundo PrickettPrickett (1991), a lousa
negra com o giz amarelo é a melhor, pois oferece um melhor contraste para a
maioria dos alunos com baixa visão.
MOVIMENTAÇÃO DO PROFESSOR
O
professor geralmente anda por toda a sala, o que muitas vezes, para os alunos
com surdocegueira e/ ou com deficiência múltipla torna-se um desafio, pois eles
não conseguem seguir as orientações tanto visuais quanto auditivas que o
professor está dando para todos. É necessário lembrar-se dos locais que
produzem reflexos e tentar evitá-los. O
professor deve verificar se o guia-intérprete ou instrutor mediador do aluno
com surdocegueira ou com deficiência múltipla consegue acompanhar o ritmo da
comunicação principalmente se esta for rápida. Ele pode lembra os alunos de falarem
um de cada vez, colaborando com a participação do colega que não acompanha
espontaneamente a discussão visual nem auditivamente.
MATERIAL DIDÁTICO: CARACTERÍSTICAS
VISUAIS
Os
materiais didáticos em geral são visuais, auditivos ou uma combinação dos dois:
figuras, fitas de vídeo e áudio, filmes, CD, materiais escritos e outros.
Segundo Lowell e Quinsland (1973), ao trabalhar com alunos com surdocegueira,
verificou que eles preferiam materiais impressos e manuseáveis; informação
escrita na lousa; fitas de vídeo e slides coloridos; transparências coloridas e
em preto e branco. Os alunos preferiram os materiais que podiam usar de perto,
elegendo por último os materiais que podem ficar mais distantes e que requerem
o uso da visão.
ALTERAÇÕES
NO TAMANHO
Figuras
pequenas ou grandes demais ,dependendo das necessidades visuais do aluno, são
difíceis de serem identificadas, tornando-se, muitas vezes, necessário que
sejam levadas para mais próximo ou mais longe do seu campo visual. Portanto,
não é muito indicado utilizar figuras que sejam de difícil interpretação visual
e/ou com muitos detalhes.
ALTERAÇÕES NA COMPLEXIDADE
Figuras
com muitos detalhes e com movimento(imagens de computador, fitas etc.) são mais
difíceis de serem identificadas. Para alunos com baixa visão, é preferível que
sejam simplificadas Observação: quando
os filmes não são possíveis de serem adequados, é importante fazer a transcrição
fiel do que ocorre nas imagens (descrição visual) ou, se for legendado, passar
as legendas pausadamente. Para o aluno
com surdocegueira é preciso garantir, através do guia-intérprete ou do
professor, que ele tenha todas as informações das ilustrações, slides, filmes
etc. No caso dos alunos com deficiência múltipla com comprometimento motor ou
intelectual, a mesma observação é pertinente, principalmente com relação ao
tempo de processamento da informação.
MATERIAIS ESCRITOS
As
adequações dos materiais escritos são feita no sistema Braille, os quais devem
ser ampliados. Alunos com surdocegueira e com deficiência múltipla que são
cegos precisarão do sistema Braille para acompanhar as aulas. Pode-se
transcrever os materiais no sistema Braille.
OUTROS RECURSOS PARA
ADEQUAÇÕES VISUAIS
Alguns
alunos com baixa visão funcional são beneficiados por adequações feitas aos
materiais impressos, à lousa, aos relógios, entre outros. Podem ser feitas
modificações sem recomendações específicas, por meio de uma avaliação funcional
da visão, que é: A observação do desempenho
visual do aluno em todas as atividades diárias, desde como se orienta e se
locomove, se alimenta, brinca, até como usa a visão para realizar tarefas escolares
ou práticas. A avaliação funcional da visão revela dados qualitativos de observação
informal sobre: o nível de desenvolvimento visual do aluno, o uso funcional da
visão residual para as atividades educacionais, da vida diária, orientação,
mobilidade e trabalho, a necessidade de adaptação à luz e aos contrastes,
adaptação de recursos óticos, não-ópticos e equipamentos de tecnologia avançada
(BRUNO, 1997, p.8-)
POSICIONAMENTO
Um
aluno com surdocegueira ou com deficiência múltipla que tenha resíduo auditivo
deve sentar-se em um lugar que lhe proporcione acesso às fontes de som mais importantes.
Em se tratando de um aluno com deficiência múltipla com comprometimento motor(Paralisia
Cerebral), seu bom posicionamento será fundamental para alcançar melhores
resultados na aprendizagem.
GUIAS-INTÉRPRETES,
INSTRUTORES MEDIADORES E MONITORES.
Geralmente
os alunos com surdocegueira ou com deficiência múltipla recebem dos ambientes
escolares comuns as informações necessárias, principalmente auditivas, com a
assistência de outra pessoa. A maioria precisa de ajuda para obter as informações
completas para compreender a comunicação e participação efetivamente das ,ou seja,
receber as informações no seu sistema de comunicação. Para esses alunos, são
necessários os serviços de: guia-intérprete e de instrutor-mediador, para guiar,
interpretar e mediar a comunicação. Os monitores podem apoiar em atividades
extras salas.
TECNOLOGIA ASSISTIVA
·Independência
·Qualidade de Vida e inclusão social
·Ampliar a comunicação
·Ampliar a mobilidade
·Ter controle do ambiente
·Dar apoio as habilidades para o trabalho
SISTEMAS LOOPS
Sistema
de radio frequência que serve para amplificar o som para a pessoa com deficiência auditiva ou surdez.
Pode ser instalado na sala de aula, em auditórios etc.
TELEFONE PARA PESSOAS COM
SURDEZ
Usado
com fone do telefone fixo. Também existe com impressora e mostrador visual
ampliado, tendo o teclado igual ao de um computador.
ORGANIZAÇÃO DA SALA DE
AULA
As
adequações físicas feitas mais frequentemente são:
·Marcação ou organização de cantos temáticos
na sala de aula;
·Cortinas que abafam sons externos; e
·Telhas, matérias de construção, divisores
de madeira ou painéis de parede que abafam sons.
Referência:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla. – Coletânea UFC-MEC/2010. • IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”,2010 sem publicar .
A Politica Educacional na Perspectiva
Inclusiva vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas
práticas sociais/institucionais para promover a participação e aprendizagem dos
alunos com surdez na escola comum
As
pessoas com surdez não podem ser reduzidas á condição sensorial,
desconsiderando as potencialidades que as integram a outros processos
perceptuais, enquanto seres de consciência, pensamento e linguagem.
Pensar e construir uma prática pedagógica que
assuma a abordagem bilíngue e se volte para o desenvolvimento das
potencialidades das pessoas com surdez na escola é fazer com que está
instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas potencialidades,
singularidades e diferenças e em seu contexto de vida.
Na
perspectiva de educação de pessoas com surdez, o bilinguismo que se propõe é
aquele que destaca a liberdade de o aluno se expressar em uma ou em outra
língua e de participação de um ambiente escolar que desafie seu pensamento e
exercite sua capacidade perceptivo-cognitivo, suas habilidades para atuar e
atingir em um mundo social que é de todos considerando o contraditório, o
ambíguo, as diferenças entre as pessoas.
Enquanto
as discussões ficam centradas na aceitação de uma língua ou de outra, as
pessoas com surdez não têm o seu potencial individual e coletivo desenvolvido,
ficam secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem
parte, sendo relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria. Como bem
retratam Damázio e Ferreira ( 2010, p. 48):
...
a pessoa com surdez não é estrangeira em
seu próprio país, mas usuária de um
sistema linguístico com características e status próprios, no qual
cognitivamente se organiza e estrutura o
pensamento e a linguagem nos processos
de mediação simbólica, na relação da linguagem/pensamento/realidade e práxis
social.
Não
vemos a pessoa com surdez como o deficiente, pois ela não o é, mas tem perda
sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para
essa função perceptiva. Mas, por outro lado, há toda uma potencialidade do
corpo biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros
processos perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência,
pensamento e linguagem.
O
problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado
nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender
que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na
qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. As práticas de sala de aula
comum e de AEE devem ser articuladas por metodologias de ensino que estimulem
vivencias e que levem o aluno a aprender a aprender, propiciando condições essenciais
da aprendizagem dos alunos com surdez na abordagem bilíngue.
O
AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em duas
línguas: em Libras e em Língua Portuguesa, a participação ativa nas aulas e o
desenvolvimento do seu potencial cognitivo, afetivo, social e linguístico, com
os demais colegas da escola comum.
A
prática pedagógica do AEE parte dos contextos de aprendizagem definidos pelo
professor da sala comum, que realizando pesquisas sobre o assunto a ser
estudado e elabora um plano de trabalho envolvendo os conteúdos curriculares.
O
AEE em três momentos visa oferece a esse alunos a oportunidade de demonstrarem
se o beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem.
O
AEE deve ser planejado com base na avaliação do conhecimento que o aluno tem a
respeito das libras e realizado de acordo com o estágio de desenvolvimento da
língua em que o aluno se encontra.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA:
DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar
de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção.
Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p. 46-57.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Nada é mais
deficiente que o preconceito e nada mais eficiente que o amor
O Que é Audiodescrição?
A audiodescrição é um recurso
de
acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em
eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV,
exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos
turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários,
congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora. É uma
atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica,
que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à
cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e
escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia
também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e
disléxicos.
O que a
Audiodescrição Possibilita?
Com este recurso é possível conhecer cenários, figurinos,
expressões faciais, linguagem corporal, entrada e saída de personagens de cena,
bem como outros tipos de ação, utilizados em televisão, cinema, teatro, museus
e exposições.
Desta forma, as pessoas com deficiência visual poderão
frequentar sessões de cinema, ir ao teatro e a outros espetáculos, visitar
museus, exposições e mostras, atividades que, geralmente, não fazem parte do
cotidiano destas pessoas; em primeiro lugar porque são artes que exploram os
recursos visuais tanto na cenografia como na caracterização dos personagens e
da época. Em segundo, porque a sociedade, em geral, impede o acesso das pessoas
com deficiência a determinados espaços, confinando-as a conviver com seus pares
em espaços especialmente destinados a elas, como as escolas especiais.
Ainda é pequeno o número de ações que visam possibilitar o
acesso das pessoas com deficiência a todas as atividades da vida diária,
incluindo aqui as atividades sociais e culturais.
A História
da Audiodescrição.
TeatroReal of Windsora
introduzir esse serviço em uma abrangência maior. Como uma atividade formal,
ligada às artes visuais e ao entretenimento, entretanto, a audiodescrição é
algo bem mais recente, tendo início nos anos 80 nos Estados Unidos e
Inglaterra.
Nos Estados
Unidos, teve início em 1981, emWashington DC, noArena Stage Theater, como resultado do trabalho deMargareteCody Pfanstiehl. Eles fundaram um serviço de
audiodescrição que promoveu a descrição de peças de teatro e, até o final dos
anos 80, mas de 50 casas de espetáculo já tinham em sua programação algumas
apresentações com descrição.
Na
Inglaterra, essa prática data também dos anos 80, tendo início em um pequeno
teatro chamadoRobin Hood, emAverham,Nottinghamshire, onde as primeiras peças foram
narradas.
Audiodescrição
no Teatro Brasileiro.
No Brasil, a primeira peça comercial a contar com o recurso de
audiodescrição foi "O Andaime", no Teatro Vivo, em março 2007. A segunda
peça com audiodescrição, "A Graça da Vida", estreou em junho do mesmo
ano, também no Teatro Vivo. O teatro dispõe de aparelhos de tradução simultânea
e a audiodescrição é feita pelos voluntários do Instituto Vivo.
Audiodescrição
no Cinema - Brasil.
No Brasil, o primeiro filme, no circuito comercial, com
audiodescrição foi "Irmãos de Fé", do Padre Marcelo, lançado em 2005.
Outras iniciativas têm sido feitas, como o Clube do Silêncio, em Porto Alegre,
que produziu alguns filmes curta-metragem com audiodescrição, além de trabalhos
de pesquisadores, como a professora Dra. Eliana Franco, da Universidade Federal
da Bahia, e o professor Dr. Francisco Lima, da Universidade Federal de
Pernambuco. Ambos têm feito trabalhos importantes sobre a audiodescrição, sendo
que a primeira com filmes e o segundo com mapas e recursos didáticos.
Também o festival internacional de filmes sobre deficiência, o
Festival Assim Vivemos , produzido por Lara Pozzobon, que acontece no Rio de
Janeiro e em Brasília**, nas salas do CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil -
oferece acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva em todos
os filmes desde 2003. Graciela Pozzobon, atriz, é responsável pela
audiodescrição em todos os filmes do festival.
Este vídeo de audiodescrição é um recurso muito importante no
processo de educação do aluno em sala de aula por que proporciona uma maior integração com as pessoas com deficiência
visual e principalmente dá mais fluência ao ritmo escolar, igualando o nível de
todos os alunos.
Referências Bibliográficas
FRANCO, E. P. C. e SILVA, M. C. C. C. Audiodescrição: Breve
Passeio Histórico. In MOTTA, L.M.V. e ROMEU FILHO, P. (orgs): Audiodescrição:
Transformando Imagens em Palavras. Secretaria dos Direitos da Pessoa com
Deficiência do Estado de São Paulo, 2010.