sexta-feira, 7 de março de 2014

O Atendimento Educacional Especializado em Construção para o Aluno com Surdez


 A Politica Educacional na Perspectiva Inclusiva vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum
As pessoas com surdez não podem ser reduzidas á condição sensorial, desconsiderando as potencialidades que as integram a outros processos perceptuais, enquanto seres de consciência, pensamento e linguagem.
 Pensar e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem bilíngue e se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez na escola é fazer com que está instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas potencialidades, singularidades e diferenças e em seu contexto de vida.
Na perspectiva de educação de pessoas com surdez, o bilinguismo que se propõe é aquele que destaca a liberdade de o aluno se expressar em uma ou em outra língua e de participação de um ambiente escolar que desafie seu pensamento e exercite sua capacidade perceptivo-cognitivo, suas habilidades para atuar e atingir em um mundo social que é de todos considerando o contraditório, o ambíguo, as diferenças entre as pessoas.
Enquanto as discussões ficam centradas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez não têm o seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem parte, sendo relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria. Como bem retratam Damázio e Ferreira ( 2010, p. 48):

... a pessoa  com surdez não é estrangeira em seu próprio país, mas  usuária de um sistema linguístico com características e status próprios, no qual cognitivamente se organiza e  estrutura o pensamento  e a linguagem nos processos de mediação simbólica, na relação da linguagem/pensamento/realidade e práxis social.

Não vemos a pessoa com surdez como o deficiente, pois ela não o é, mas tem perda sensorial auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa função perceptiva. Mas, por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem.
O problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. As práticas de sala de aula comum e de AEE devem ser articuladas por metodologias de ensino que estimulem vivencias e que levem o aluno a aprender a aprender, propiciando condições essenciais da aprendizagem dos alunos com surdez na abordagem bilíngue.
O AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa, a participação ativa nas aulas e o desenvolvimento do seu potencial cognitivo, afetivo, social e linguístico, com os demais colegas da escola comum.
A prática pedagógica do AEE parte dos contextos de aprendizagem definidos pelo professor da sala comum, que realizando pesquisas sobre o assunto a ser estudado e elabora um plano de trabalho envolvendo os conteúdos curriculares.
O AEE em três momentos visa oferece a esse alunos a oportunidade de demonstrarem se o beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem.
O AEE deve ser planejado com base na avaliação do conhecimento que o aluno tem a respeito das libras e realizado de acordo com o estágio de desenvolvimento da língua em que o aluno se encontra.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p. 46-57.